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Oposição duvida da execução do PTRR e alerta para risco de plano "ficar no papel"

Oposição duvida da execução do PTRR e alerta para risco de plano "ficar no papel"

Apesar das garantias do primeiro-ministro, Luís Montenegro, de que o Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) apresentado pelo Governo vai chegar de forma "robusta" aos territórios mais afetados pelas fortes tempestades, a oposição mantém as dúvidas e pede mais detalhes sobre a calendarização e a execução dos mais de 22 mil milhões de euros anunciados.

João Alexandre - RTP Antena 1 /

Fotografias: Jorge Carmona

Do lado do Partido Socialista, o deputado Nuno Fazenda apontou "falhas" nos vários planos apresentados, no passado, pelo Governo da AD e criticou o desfasamento entre anúncios e implementação. 

O Governo anuncia planos e milhões, mas não consegue concretizar”, afirmou o ex-secretário de Estado de António Costa, que acrescenta: "As pessoas precisam é do telhado arranjado, da casa recuperada e dos apoios prometidos que não chegam”.

No programa Entre Políticos, o socialista sublinhou ainda que existem sinais de ineficácia no terreno. “Temos vários reportes disso. Quem liga a televisão ou lê um jornal encontra testemunhos de atrasos e de apoios que não chegam às pessoas”, disse, defendendo maior capacidade de resposta do Estado.
 As críticas surgem também da bancada do Chega, que considera que o PTRR não passa de um exercício político sem impacto real. Na RTP Antena 1, o deputado Eduardo Teixeira considerou que o documento apresentado por Luís Montenegro não passa de um "plano de intenções".

"Eu diria mesmo um plano de marketing. Pouco ou nada se acrescentou e quase nada chega às pessoas", insistiu Eduardo Teixeira, que acusa o Governo de falta de clareza na estrutura do programa. 

Não há metas, não há critérios, não há calendarização. Isto cria a sensação de um plano vazio”, afirmou, assinalando que o Estado "pouco ou nada investe" e "atira grande parte do esforço para os privados”.
"O Governo continua atento às necessidades das pessoas e das empresas", garante o deputado do PSD
Na resposta, o PSD defende que há um cariz estruturante do plano e rejeita a ideia de ineficácia: “Este programa tem três grandes pilares: recuperação, proteção e resposta”, explicou o deputado do PSD João Antunes dos Santos , que reitera que o objetivo do PTRR não é apenas imediato.

Há uma dimensão de recuperação do território, que foi claramente afetado, mas também uma dimensão de prevenção e de preparação do país para o futuro”, afirmou o deputado, que aponta: “Vivemos num contexto em que estes fenómenos são cada vez mais frequentes e temos de estar mais preparados”.

Na RTP Antena 1, o social-democrata defendeu ainda que a execução exige tempo e condições no terreno. “Mesmo que o dinheiro chegue, isso não significa que as obras possam ser feitas de imediato. Há constrangimentos reais no terreno”, referiu.

João Antunes dos Santos, deputado eleito pelo distrito de Leiria - um dos mais afetados pelas tempestades -, afirma ainda que o Governo da AD não descurou, desde o final de janeiro, a resposta aos territórios onde os prejuízos são mais evidentes.

"O Governo tomou e continua a tomar um conjunto de medidas de apoio a famílias e empresas. Ainda ontem anunciou, e vai hoje a Conselho de Ministros, o aumento das moratórias para os créditos das empresas até 12 meses, portanto, o Governo continua atento àquilo que são as necessidades das pessoas e das empresas nesta região", reiterou.
 Na RTP Antena 1, também o Livre lançou, através da deputada Patrícia Gonçalves, alertas sobre a execução do plano. “Não sabemos qual é a priorização das medidas, nem a calendarização, nem como é que tudo isto vai ser implementado e fiscalizado”, afirmou.

A deputada acrescentou ainda que a execução continua a ser o principal problema. “Há uma preocupação grande com o facto de os apoios não estarem a chegar com a rapidez necessária às populações afetadas”, disse, defendendo maior transparência e maior diálogo do Governo com os partidos, desde logo através da Assembleia da República, onde já foi aprovada a criação de uma comissão eventual para o acompanhamento e fiscalização do PTRR.
O programa Entre Políticos é moderado pelo jornalista João Alexandre.
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